quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Incentivo da leitura nas Escolas



Dar oportunidade para uma criança conhecer o mundo encantado dos livros é um dos papéis fundamentais da escola, seja através dos clássicos infantis, contos, lendas, anedotas, quadrinhos, dentre vários outros.
Para isso, é fundamental que os professores sejam os elementos de ligação entre os alunos e os livros, ao mundo do faz-de-conta, pois estes ampliam o potencial imaginativo da criança, tornando-a mais criativa.
Existem várias formas de incentivar a criança a gostar de ler, bem como a criar o hábito de leitura. Ser um bom contador de histórias é uma dessas formas, pois as crianças se encantam com o professor, com a entonação de sua voz, os gestos que faz, as caras e bocas, os risos ou choros, enfim, tudo aquilo que traz emoção para o momento. E mais tarde tentam imitá-lo agindo da mesma forma.
Entretanto, a leitura não deve ser somente para o prazer, mas com o objetivo de promover a capacidade reflexiva e crítica, o que acontece quando o professor abre espaço para discussões após a mesma, dando oportunidade dos alunos darem suas opiniões, elogiando ou não o livro, repensando suas idéias acerca do tema abordado, ou até mesmo mudando o final da história.

Crianças concentradas nos livros literários
Outra forma, considerável, de se incentivar a leitura é levar os alunos a fazerem uma visita semanal à biblioteca da escola, tendo estes o direito de livre escolha dos livros. É bom que o professor determine um tempo para ficarem no local; um horário de cinqüenta minutos, por exemplo, dará para fazer a leitura de vários textos.
Voltando para a sala de aula, cada aluno poderá fazer um desenho ou um resumo, a fim de registrar e demonstrar o que foi lido, bem como a forma que compreendeu a história.
Brincar com teatro, fantasias, buscando a representação dos textos lidos também é uma excelente forma de incentivar a leitura, pois o aluno percebe que para simular precisa ter um texto, uma história em mente. Além disso, o teatro é uma forma prazerosa de se aprender, promove descontração e muita troca de conhecimento.
E não precisam fazer a representação apenas de histórias, mas de filmes, conteúdos de outras disciplinas, fatos do cotidiano, etc.
O importante é que a escola abra espaço para esse tipo de trabalho e que os professores incentive-os sempre, visando o aumento do vocabulário, a riqueza de idéias, a desinibição, a constituir uma fala desenvolta e a ficar mais próximos dos acontecimentos sociais.
Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

O REGISTRO DA DITADURA MILITAR EM "DIÁRIO DA PATETOCRACIA"






Em Diário da Patetocracia, o autor José Carlos de Oliveira versa sobre temas e assuntos diversos, sempre a partir de um olhar detido sobre a realidade brasileira em tempos memoráveis – ano de 1968 – marcado pelos ditames da Ditadura Militar. Na referida obra, Oliveira anota, com crítica aguçada, seus pensamentos e suas impressões sobre a sociedade e a política da época, sob a ótica de um atento observador, que registra, numa espécie de diário, o dia-a-dia de uma nação vigiada e com severas restrições às liberdades de pensamento e expressão.
No diário do autor, aos capítulos são atribuídos nomes de meses do ano, e esses, por sua vez, são subdivididos em dias da semana. Nada por acaso: Oliveira inova com seu estilo simples, linguagem direta e não menos atenta ao cotidiano de uma República governada por “patetas”. Difícil não se encantar com sua objetividade e crítica ao narrar os fatos acontecidos em dias que a intolerância de um regime político aterrorizou um país.
Mês a mês, dia a dia, Oliveira anotou as características e conseqüências de um a Ditadura ou, melhor dizendo, de uma Patetocracia. E é acerca dessa nuance que teceremos alguns comentários sobre a obra.
Na crônica “A SOLUÇÃO FINAL”, datada em Domingo, 7 de janeiro, o autor observa o impasse existente entre o regime militar e os estudantes. A agudeza da crítica de Oliveira propõe que a solução para resolver o problema entre regime político e estudantes seria a pílula anticoncepcional, uma vez que livraria o Brasil da rebeldia e do desejo de liberdade dos jovens estudantes. “Não nascendo ninguém, ninguém cresce; não crescendo ninguém, em pouco tempo deixará de haver estudantes e o nosso querido Brasil entrará nos eixos (p.11).”
O cronista aponta, ainda, 12 propostas para solução de tal problema. Dentre as propostas, destacamos algumas e grifamos expressões carregadas de uma semântica própria de um regime político que impõe, unilateralmente, suas decisões.

3. Os estudantes serão convocados para a escola.
4. Fica proibido o uso de uniforme. E será obrigatório o uso de uma farda estudantil.
5. Os estudantes de primeiro ano farão continência para os estudantes do segundo ano. Os do segundo ano farão continência para os do terceiro ano, e assim por diante.
6. todo estudante é responsável pela segurança nacional. Se alguém chatear alguém na rua, os estudantes descerão a lenha no chato.
7. No primeiro ano do currículo, o aluno se chamará estudante raso. Ao receber o diploma: sargento-estudante.
10. Estudante reprovado é estudante subversivo. Cadeia para ele.
11. Estudante relapso é estudante corrupto. Pau nele. (grifamos)


Além de perceber que os tempos verbais das orações estão sempre no imperativo, também atentamos para o fato de que o desejo dos generais-presidentes era de fazer do estudante um soldado a serviço da Patetocracia. Sob o argumento de que era necessário lutar pelo país e defendê-lo, os militares lançaram campanhas midiáticas que aludiam a esse propósito. Não podemos esquecer da emblemática mensagem: “Brasil, ame-o ou deixe-o”, intencionalmente sugerida à época da Copa do mundo de 1970. O regime dos patetas soube utilizar o sentimento nacionalista dos brasileiros, no período da copa de futebol para enfatizar as ideologias da Ditadura.
Observamos, agora, “CONTRA A CENSURA, PELA CULTURA” (p.35), em que o cronista discorre sobre a militância de alguns artistas contrários à Ditadura. Essa era composta por censores que limitavam as expressões artístico-culturais do país, que, nas palavras do autor, deseja “pensar livremente”.
Oliveira observa a constância do regime e a mão pesada do Estado até mesmo sobre a arte:

Todo dia um pateta qualquer enfia sua pata numa peça de teatro e corta as frases que lhe parecem atentatórias à moral, aos bons costumes e à democracia. Não se passa uma tarde sem que outro pateta dê o ar de sua graça, cortando seqüências inteiras de filmes. A patetocracia não dorme em serviço (p.35).

Mais à frente, em 21 de março, o cronista questiona: “TODO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, POR SUA NATUREZA, SERÁ NECESSARIAMENTE UM BRILHANTE CRÍTICO TEATRAL?” Oliveira continua a se referir à “tesoura” estatal – uma navalha que corta e fere as manifestações artísticas.

Esmagado pelo desalento, ainda me parece lícito fazer uma pergunta. Ei-la: o fato de um cidadão ser Presidente da República lhe dá autoridade para se intrometer em questões de expressão artística? (p. 53)

Em face de tantos desrespeitos à liberdade de um povo, Oliveira visualiza um futuro sombrio para os filhos da Ditadura. A insensibilidade e indiferença do general-presidente, Costa e Silva, muito contribuem à hostilização da sociedade.

Não temos futuro algum para oferecer às nossas crianças. Os garotos ricos – em minoria, é verdade, mas a minoria que faz barulho – os garotos ricos querem outra coisa: uma sociedade, outro regime. Os garotos pobres precisam apenas de uma pistola e de um cigarro de maconha. (169-170).
Por fim, destacamos a crônica “AS FÉRIAS DO SR. CHARLOT”, que muito nos despertou a atenção pela reflexão que o cronista faz acerca do seu oficio, de sua colaboração para o progresso do país.

Uma lei trabalhista particularmente simpática proíbe que eu, durante vinte dias, colabore no progresso do meu país. Ficarei de papo para o ar, enquanto vocês se subdesenvolvem...(p.262)
A esse aspecto, o autor atrela sua sensibilidade, envolvida em uma crítica audaz diante da realidade do país. Ele enfatiza a necessidade de alimentar ilusões para uma sobrevivência menos sofrível do povo brasileiro. Para atenuar as dores da nação, “Ilusobrás” para todos!

Todos aqueles que se consideram desiludidos com o atual Governo passarão a viver iludidos. A irrealidade tomará conta da nossa pátria, choverá feijão em Mato Grosso, o Exército e o povo marcharão para o futuro. O que está faltando a esse país é justamente a Ilusobrás, o sonho fabricado sem descanso, um ópio para o povo sofrido (p.262).


Encantados, encerramos esses breves apontamentos sobre Diário da Patetocracia. Sem dúvida, vale a leitura! Reflexões diversas podem ser suscitadas através da obra, que nos faz compreender o Brasil de ontem e de hoje.


Referêcia: 
OLIVEIRA, José Carlos. Diário da Patetocracia: crônicas brasileiras 1968. Rio de Janeiro: Graphia, 1995

DICA DE LEITURA DO LETRA QUE FALA


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Sinopse: Os celtas se destacaram dentre todos os povos europeus por suas crenças espirituais. Convictos da imortalidade e da reencarnação, iam para as batalhas como para uma festa, sem temer a morte, que sabiam não existir. Seus sacerdotes, os druidas, possuíam conhecimentos iniciáticos elevados sobre a evolução da alma, os planos da existência, os astros e o Cosmo, que coincidem com a tradição da Sabedoria Oculta, inclusive na concepção do Deus único e da Lei do Carma.
Não por acaso povoaram a Gália, e nela deixaram as sementes profundas dessas crenças, as energias imponderáveis de seus ritos sagrados, e a tradição mediúnica de suas sacerdotisas afeitas ao contato com o Além. 
Era a preparação para a futura chegada do espiritismo, cujos primeiros seguidores foram, na França, os antigos adeptos da doutrina céltica, que já traziam na alma a convicção das Leis Eternas que a doutrina dos espíritos veio restabelecer. Também por isso o Codificador adotou seu antigo nome druídico de Allan Kardec – o druida-chefe, pontífice máximo de um povo. 
Esta obra de Léon Denis traz uma visão panorâmica de tudo isso, da cultura desse povo extraordinário, com sua crença no invisível que perdura até hoje nas tradições antigas que ficaram, mostrando que a França é, sim, gaulesa em seus fundamentos, em sua tradição democrática, propondo o resgate dessa tradição espiritual extraordinária, revivida pelo espiritismo.
Integra a obra uma coleção de mensagens do próprio Kardec, recebidas no grupo de Léon Denis, sobre o tema do celtismo, bem como uma comunicação de Joana d’Arc.